Artemis II: Por que a NASA adiou o lançamento para março ?





        O programa Artemis, liderado pela NASA, tem como objetivo levar novamente seres humanos à Lua e estabelecer as bases para uma presença sustentada no espaço profundo. A missão Artemis II será um passo crucial nesse caminho: ela levará astronautas em uma viagem ao redor da Lua, sem pouso, testando pela primeira vez, em voo tripulado, o foguete SLS e a espaçonave Orion.

Antes de um lançamento desse porte, uma etapa fundamental precisa ser cumprida: o Wet Dress Rehearsal (WDR).


O que é o Wet Dress Rehearsal?

O Wet Dress Rehearsal pode ser entendido como um ensaio geral completo do lançamento. Nele, o foguete permanece na plataforma e todas as etapas da contagem regressiva são executadas como se o lançamento fosse real.

A diferença em relação a testes “secos” é que, no WDR, os tanques do foguete são abastecidos com propelentes reais — oxigênio líquido e hidrogênio líquido — em temperaturas extremamente baixas. Isso permite verificar:

  • O comportamento estrutural do foguete sob condições criogênicas

  • O funcionamento de válvulas, sensores e sistemas de pressurização

  • A integração entre o foguete, a espaçonave Orion e os sistemas de solo

  • A resposta automática dos sistemas de segurança

Em outras palavras, o WDR serve para descobrir problemas no chão, e não com astronautas a bordo.


O que ocorreu durante o WDR da Artemis II ?

        Durante o ensaio mais recente, realizado no início de fevereiro, os engenheiros identificaram um vazamento de hidrogênio líquido em uma das conexões do estágio central do SLS, durante o processo de abastecimento.

O hidrogênio líquido é particularmente desafiador do ponto de vista físico: suas moléculas são extremamente pequenas, o que facilita a fuga por microfrestas, especialmente quando materiais metálicos sofrem contração térmica ao serem resfriados a temperaturas criogênicas.

A equipe tentou mitigar o problema ajustando procedimentos e condições térmicas, mas, à medida que a contagem regressiva simulada se aproximava do momento final, o sistema detectou um aumento no vazamento. Por segurança, o teste foi interrompido automaticamente.

Além disso, o WDR revelou outros pontos menores que exigem análise, como o comportamento de válvulas, efeitos do frio extremo em equipamentos de solo e verificações adicionais nos sistemas da espaçonave Orion.


Por que isso levou ao adiamento do lançamento ?

        Em missões tripuladas, segurança vem antes de cronograma. Um vazamento de hidrogênio, mesmo que pequeno, não é algo aceitável em um lançamento real, pois pode comprometer tanto a integridade do veículo quanto a segurança da tripulação.

Após o WDR, a NASA precisa:

  1. Analisar detalhadamente os dados coletados

  2. Identificar a causa exata do vazamento

  3. Realizar correções ou ajustes necessários

  4. Confirmar que o problema não se repete

  5. Validar novamente os procedimentos de lançamento


Esse processo exige tempo — e não pode ser apressado.

Além disso, lançamentos lunares dependem de janelas orbitais específicas, determinadas pela mecânica celeste e pelas condições necessárias para uma trajetória segura até a Lua e de volta à Terra. Com o tempo adicional necessário para revisões e possíveis novos testes, a próxima janela viável passou a ser em março.



Fontes:

NASA – Artemis II Overview
Página oficial da missão Artemis II, com objetivos, cronograma e atualizações técnicas.
https://www.nasa.gov/artemis-ii

NASA – Space Launch System (SLS)
Informações técnicas sobre o foguete SLS, incluindo sistemas criogênicos.
https://www.nasa.gov/sls

NASA – Orion Spacecraft
Detalhes sobre a espaçonave Orion e seus sistemas.
https://www.nasa.gov/orion


Artemis II: Por que o frio "congelou" nossos planos de ir à Lua?


Artemis II: A missão levará quatro astronautas para orbitar a Lua e testar os sistemas para os futuros pousos lunares. 📸 NASA/Joel Kowsky

        Se você estava com a pipoca na mão esperando o grande lançamento da missão Artemis II, deve ter visto que o cronômetro deu uma pausa. A NASA e as agências parceiras decidiram adiar o lançamento para o dia 8, e o motivo é um velho conhecido de quem vive em climas rigorosos: o frio extremo.

Pode parecer ironia que uma nave projetada para enfrentar o vácuo gelado do espaço tenha problemas com o inverno terrestre, mas a realidade da engenharia aeroespacial é um pouco mais delicada.

Por que o adiamento foi necessário?

A segurança é a palavra de ordem quando temos quatro astronautas a bordo da cápsula Orion. O frio excessivo impacta o lançamento de duas formas principais:

Propriedades dos Materiais: Temperaturas muito baixas podem tornar vedações de borracha e componentes plásticos quebradiços. Quem não se lembra do trágico caso do Challenger? O frio compromete a elasticidade dos anéis de vedação, e a NASA não corre riscos.

Abastecimento de Combustível: O hidrogênio e o oxigênio líquidos já são mantidos em temperaturas criogênicas. Se o ambiente externo estiver frio demais, isso pode afetar a pressão nos tanques e causar o congelamento de linhas de purga ou válvulas essenciais.

Recuperação e Resgate: Além do foguete, as equipes de suporte precisam de condições seguras para operar no mar em caso de um aborto de lançamento.


O que esperar do dia 8?

        A missão Artemis II é um marco histórico. Pela primeira vez em mais de 50 anos, seres humanos viajarão para as proximidades da Lua. Não se trata de um pouso ainda (isso fica para a Artemis III), mas sim de um voo de trajetória de retorno livre para testar todos os sistemas de suporte à vida da Orion.

        Curiosidade: A tripulação conta com Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen. Eles serão os primeiros humanos a ver a face oculta da Lua de perto desde o programa Apollo!


Conclusão

Adiar um lançamento não é um fracasso, é prudência. No mundo da exploração espacial, é sempre melhor esperar pelo clima perfeito do que arriscar uma missão de bilhões de dólares e, mais importante, a vida da tripulação.

Agora, nossos olhos estão voltados para o dia 8. Fiquem ligados aqui no blog para novas atualizações.



Fontes:


Mecânica - Solução do desafio do giroscópio

 




Astronomia - Sistemas de coordenadas #1


Uma forma interessante de observar os movimentos dos astros em relação a Terra é observá-los em vários dias ao longo do ano, sempre no mesmo horário. Desta forma eliminamos o movimento de rotação terrestre. Vejamos por exemplo o movimento do Sol.




Mas por que o Sol descreve essa trajetória no céu? Observe a imagem acima com atenção. Note que a posição do Sol ao longo do ano varia  "para baixo" e "para cima" (Norte e Sul), de acordo com as estações, mas também para direita e para a esquerda (Leste e Oeste).

Para melhor qualificar observações, é preciso definir grandezas físicas e unidades de medida. O objetivo aqui é medir posição. Para medir posição será necessário definir um referencial. Além do referencial é necessário definir um sistema de coordenadas. Vários sistemas de coordenadas podem ser utilizados para medir posição dos astros. Um desses sistemas de coordenadas é o sistema horizontal.

O sistema horizontal é um sistema local. As coordenadas azimute e altura dependem do lugar e do instante da observação. Essas coordenadas são:
  • Azimute (A): é o ângulo medido sobre o horizonte, no sentido horário, com origem no Norte geográfico e extremidade no círculo vertical do astro. O azimute varia entre 0° e 360°.

  • Altura (h): é o ângulo medido sobre o círculo vertical do astro, com origem no horizonte e extremidade no astro. A altura varia entre -90° e +90°. 
Utilizando este sistema é possível qualificar melhor as observações. Por exemplo:

A posição do sol em Curitiba no dia 22/09/2012 às 14h37min foi A=56,98° e h=316,93°.


Referências:

O problema do ensino da órbita da Terra  - http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol4/Num2/v4n2a06.pdf
Sistemas de coordenadas em astronomia - http://astro.if.ufrgs.br/coord.htm









Astronomia - Sistemas de coordenadas #2

    O sistema de coordenadas alto azimutais é amplamente utilizado em astronomia para descrever a posição de um objeto celeste no céu em relação a um observador em um local específico. Este sistema é baseado em dois parâmetros: a altitude e o azimute.


1. Altitude (ou elevação)

  • Mede o ângulo do objeto acima do horizonte.
  • Valores variam de 00^\circ (no horizonte) a 9090^\circ (no zênite, ponto diretamente acima do observador).
  • Objetos abaixo do horizonte têm altitudes negativas.

2. Azimute

  • Mede o ângulo ao longo do horizonte a partir do norte verdadeiro.
  • Geralmente, 00^\circ corresponde ao norte, 9090^\circ ao leste, 180180^\circ ao sul, e 270270^\circ ao oeste.

Pontos de referência do sistema

  • Zênite: O ponto diretamente acima do observador (9090^\circ de altitude).
  • Nadir: O ponto diretamente abaixo do observador (90-90^\circ de altitude).
  • Horizonte: O plano tangente à superfície da Terra no local do observador (00^\circ de altitude).




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